sábado, 19 de março de 2011

Como o Espiritismo explica as catástrofes?

Um dos argumentos mais usados por descrentes da doutrina espírita e cristã para "desmoralizar" o amor fraterno e infinito de Deus é citar ele como culpado das catástrofes naturais ou acidentais. Então, como o Espiritismo consegue explicar esses acontecimentos (como o do Haiti, o do Japão, da Região Serrana do RJ...)?


No Livro dos Espíritos (que está disponível para download no nosso blog na seção "Downloads"), Kardec indaga sobre as mesmas questões com os espíritos que o ajudaram a codificar a Doutrina.

737. Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores?

“Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.”

740. Não serão os flagelos, igualmente, provas morais para o homem, por porem-no a braços com as mais aflitivas necessidades?

“Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo.”

No blog "Guardas Municipais de Recife" achei um texto que se refere à catástrofe ocorrida no Haiti em Janeiro de 2010, mas que pode ser lido por quem procura respostas para o incidente no Japão pois possui o mesmo significado.

Para todos os fenômenos da vida humana, há sempre uma razão de ser. No dicionário Espírita, não deve constar a palavra “acaso”, ainda que as situações se nos afigurem insuportáveis. A tragédia do Haiti nos expõe, de maneira evidente, um episódio de resgate coletivo. Qual o significado dos milhares de seres que foram esmagados pelo terremoto? Catástrofe, cujas dimensões deixaram o mundo inteiro consternado? Para as tragédias coletivas, a Doutrina Espírita tem as explicações prováveis, considerando que, nos Estatutos de Deus, não há espaço para injustiça.

Segundo os Espíritos, “se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há, também, aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal, por exemplo, os flagelos naturais.” (1) Pela reencarnação e pela destinação da Terra - como mundo expiatório - são compreensíveis as anomalias que o planeta apresenta quanto à distribuição da ventura e da desventura neste planeta. Aliás, anomalia só existe na aparência, quando considerada, tão-só, do ponto de vista da vida presente. “Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à ideia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.” (2)

Em verdade, "as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus”. (3)


É bem verdade que as catástrofes naturais ou acidentais, como a do Haiti – ou a do Japão*, vitimaram milhares de pessoas. Nesses episódios, as imagens midiáticas, virtuais ou impressas, mostram-nos, com colorido forte, o drama inenarrável de inúmeras pessoas, enquanto a população recolhe o que sobrou e chora seus mortos.

Os flagelos destruidores ocorrem com o fim de fazer o homem avançar mais depressa. A destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, em cada nova existência, um novo grau de perfeição. "Esses transtornos são, frequentemente, necessários para fazerem com que as coisas cheguem, mais prontamente, a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.” (4) Dessa maneira, esses flagelos destruidores têm utilidade do ponto de vista físico, malgrado os males que ocasionam, "pois eles modificam, algumas vezes, o estado de uma região; mas o bem, que deles resulta, só é, geralmente, sentido pelas gerações futuras.” (5)

Antes de reencarnarmos, sob o peso de débitos coletivos, muitas vezes, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos quitar a dívida, porém, o fato, por si só, não é determinístico, até, porque, depende de circunstâncias várias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida e "o amor cobre uma multidão de pecados.” (6)

Aquele que se compraz na caminhada pelos atalhos do mal, a própria lei se incumbirá de trazê-lo de retorno às vias do bem. O passado, muitas vezes, determina o presente que, por sua vez, determina o futuro. "Quem com ferro fere, com ferro será ferido" - disse o Mestre. Porém, cabe a ressalva de que nem todo sofrimento é expiação. No item 9, Cap. V, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec assinala: "Não se deve crer, entretanto, que todo sofrimento porque se passa neste mundo seja, necessariamente, o indício de uma determinada falta: trata-se, frequentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito para sua purificação, para acelerar o seu adiantamento." (7)

Texto por Jorge Hessen
Site: http://jorgehessen.net
Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

FONTES:
(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. V
(2) idem Cap. V
(3) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. IX
(4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 737
(5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 739
(6) Cf. Primeira Epístola de Pedro Cap. 4:8
(7) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1989, Cap. V

8 comentários:

  1. Olá. Tudo Bem?

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    Abraço, Fernando.

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  2. Nossa, adorei esse post! Muito elucidativo!
    Abraços e muita luz! :)

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  3. É muito fácil para o "Anônimo" dizer que "o espiritismo é uma farsa e seu criador era um charlatão", mas ele não mostra argumentos, hipóteses, nada que dê base a sua afirmação. Qualquer um diria "o cristianismo é uma farsa e seu criador era um charlatão", ou "o islamismo é uma farsa e seu criador era um charlatão", e por aí vai. É uma panaceia utilizada para esbravejar contra uma opinião contra a qual não concorda. Cada dia mais me certifico que a coisa mais difícil do mundo deve ser respeitar a crença (ou ausência dela) do outro.

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  4. Ainda bem que o Espiritismo explica e consola, pois sem ele as pessoas sofreriam muito mais a cada perda que tivessem ;)

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  5. Nunca li tanta merda junto,o espiritismo é uma farsa e seu criador era um charlatao.
    em anonimo é facil né...
    cria vergonha na cara e respeita a opinião dos outros....
    Amei o post...explica muita coisa
    beijinhoos

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  6. Não vimos nada ainda , e quem mora próximo ao mar , deve se prevenir e voltar a morar no interior , o mar só esta anunciando que o requerimento dele esta chegando , a Biblia disse que tudo o que pertenceu ao oceano , voltará a ser oceano , e mais ou menos 200 a 300 kilometros de litorais de baixa atitude já foram oceanos , na minha visão ninguém pode dizer que não foi avisado , e se não acredita então merece morrer mesmo , porque todos estão sendo avisados .e o Brasil vai passar por um imensamente maior do que esse do Japão , para os próximos anos já . blz

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  7. Bom post.

    Naturalmente que não devemos nos acomodar com apenas uma única explicação que em isolado pode deixar margens a leviandade.

    É preciso ainda ir a fundo na doutrina,só assim se pode ter seu próprio parecer.

    É enriquecedor e consola.

    ONE (japão vivendo todo esse drama)

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  8. Antes ou depois de tudo isso acontecer, o espiritismo dominará o mundo inteiro.

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