domingo, 27 de janeiro de 2013

"Sonhando com desencarnados"

Recebemos do irmão Paulo Júnior a seguinte questão:

"Sonhei com uma pessoa da família já desencarnada chorando e me falando que meu sogro só tinha 2 dias de vida, após esse tempo ele veio a desencarnar, que comentário vocês têm sobre o acontecido?" 

Antes de mais nada, gostaríamos de nos desculpar pelo enorme atraso em responder, mas infelizmente não recebemos esse e-mail (só hoje que percebemos tal comentário no post "Quem somos nós", que não costuma receber comentários). De qualquer forma, nunca é tarde para esclarecer uma dúvida que pode ser de muitos leitores que frequentam nosso blog.


Para início de conversa, gostaríamos de deixar claro que temos um artigo especial sobre sonhos, chamado "A Visão Espírita dos Sonhos". Sonhar com pessoas desencarnadas é algo comum e frequente, sendo um tema muito discutido no Espiritismo.

É possível entrar em contato com espíritos durante o sono? Sim. "Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.” (Livro dos Espíritos questão 401.)

É possível prever algo durante o sono? Sim. “Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potencialidade e pode pôr-se em comunicação com os demais Espíritos, quer deste mundo, quer do outro...” (Livro dos Espíritos, questão 402.)

Como interpretar o sonho que tivemos com um ente querido já desencarnado? A tarefa não é muito fácil porque estamos mergulhados numa matéria muito densa. No entanto, o espírito André Luiz (médico desencarnado) nos oferece um exemplo muito bom e que é encontrado no “Os Mensageiros” (FEB) capítulo 38, quando a personagem sonha com a avó desencarnada e faz a interpretação da mensagem recebida.

Bom, acho que essas explicações são suficientes para entender melhor essa questão. É claro que cada caso é um caso, então é complicado afirmar com precisão a credibilidade do sonho em questão. Para maior entendimento do assunto, leia essa matéria completa que fizemos sobre sonhos e confira essa entrevista com Divaldo Pereira Franco, a respeito do assunto:



Resgate Coletivo em Santa Maria - RS (2013)

Para todos os fenômenos da vida humana, há sempre uma razão de ser. No dicionário Espírita, não deve constar a palavra “acaso”, ainda que as situações se nos afigurem insuportáveis. A tragédia em Santa Maria, Rio Grande do Sul nos expõe, de maneira evidente, um episódio de resgate coletivo. Qual o significado das centenas de pessoas desencarnarem coletivamente? Acidente? Despreparo? Negligência? Cujas dimensões deixaram o mundo inteiro consternado? Para as tragédias coletivas, a Doutrina Espírita tem as explicações prováveis, considerando que, nos Estatutos de Deus, não há espaço para injustiça.


Em verdade, "as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus”. (3)
As tragédias ocorrem com o fim de fazer o homem avançar mais depressa. A destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, em cada nova existência, um novo grau de perfeição. "Esses transtornos são, freqüentemente, necessários para fazerem com que as coisas cheguem, mais prontamente, a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.”


Antes de reencarnarmos, sob o peso de débitos coletivos, muitas vezes, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos quitar a dívida, porém, o fato, por si só, não é determinístico, até, porque, depende de circunstâncias várias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida e "o amor cobre uma multidão de pecados.” (6)

Aquele que se compraz na caminhada pelos atalhos do mal, a própria lei se incumbirá de trazê-lo de retorno às vias do bem. O passado, muitas vezes, determina o presente que, por sua vez, determina o futuro. "Quem com ferro fere, com ferro será ferido" - disse o Mestre. Porém, cabe a ressalva de que nem todo sofrimento é expiação. No item 9, Cap. V, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec assinala: "Não se deve crer, entretanto, que todo sofrimento porque se passa neste mundo seja, necessariamente, o indício de uma determinada falta: trata-se, freqüentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito para sua purificação, para acelerar o seu adiantamento." (7)

Esse artigo é uma adaptação do original escrito por Jorge Hessen
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://jorgehessen.net
Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

Fontes:

(3) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. IX
(6) Cf. Primeira Epístola de Pedro Cap. 4:8 
(7) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1989, Cap. V
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